segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Goleada leva à tona disputa política no Cene

Fonte: Gazeta MS Rogério Vidmantas
Noperário fez cinco e poderia ter sido mais no desajustado Cene
 (Foto: Jed Vieira/Gazeta MS)
A derrota sofrida pela Cene para o Novo operário pode repercutir bem mais que o placar elástico. O 5 a 1 para o adversário foi a segunda derrota seguida do time no Campeonato Estadual, a terceira se levarmos em conta a queda para o Cuiabá-MT em casa pela Copa Verde. Com apenas um ponto, o outrora Furacão Amarelo amarga a zona de rebaixamento e a crise política do clube ficou ainda mais evidente. Paulo Telles, vice-presidente, não aceita a parceria feita com o Guaicurus para esse temporada e está em rota de choque com o presidente, José Rodrigues, desde que esse passou também a fazer parte da diretoria do Atlético Sorocaba, equipe que disputa a Série A2 Paulista. Os dois times tiveram origem com o suporte financeiro da Igreja da Unificação, fundada pelo já falecido Reverendo Moon.
Logo após a partida deste domingo, Telles, em sua página pessoal no Facebook, não poupou críticas ao comando administrativo e técnico do time. "Se te vergonha na cara pega o boné e tchau! Cene 1 x 5 Novo operário, nunca fomos tão humilhados como estamos sendo", postou. A mensagem recebeu diversos comentários de apoio, muitos pedindo a troca do técnico e do elenco e, para essas, Telles respondeu, jogando mais uma vez a responsabilidade para Rodrigues. "Antes de mudar o elenco temos que reconhecer a cagada que o presidente fez e colocar as coisas no lugar certo".
Em seguida, em outro post, usando a tábua de classificação do Grupo A para ilustrar, Telles questiona os números do time nestes três primeiros jogos. "Era essa a campanha que estavam planejando para o Cene 2015? Nem no amador de Jardim [cidade em que o clube teve origem] ficamos na lanterna", escreveu e mais uma vez a mensagem recebeu diversas respostas de apoio. "O Cene não é time disso. Tem que ter mudança já", postou o torcedor Samuel Gomes Duarte.
Parceria
Na manhã desta segunda-feira, Paulo Telles não baixou o tom das críticas. Segundo ele, a parceria com o Guaicurus foi uma decisão exclusiva do presidente José Rodrigues e é responsabilidade dele agora tomar uma atitude. "Desde o início não aceitei isso isso, sabia que seria uma parceria de fracasso e não queria estar certo, mas os resultados até agora mostram isso. Quando chegaram, disseram que eu era o problema e eles a solução e agora é derrota e mais derrotas", disse.
Sem poder de decisão sobre o futebol profissional do Cene, Telles tem ideia de começar a mudar se fosse diferente e o técnico Ney Magalhães seria o primeiro a cair. "Ninguém fica no comando de um time após tomar de 5 a 1 e três derrotas seguidas. Ele está forçando a entrada de jogadores que não estão prontos e sobrecarregando os veteranos, como o Márcio, o Naka que deveriam servir como ponto de equilíbrio". Mas, segundo ele, nada vai ser feito. "Ainda há tempo de, pelo menos, escaparmos da segunda divisão, mas o Cene hoje é um clube abandonado, sem comando e a parceria já mostrou que não foi uma boa ideia", encerra.

Dentro de campo, Magalhães não deve ter muito tempo para solucionar os problemas. O time já volta a jogar pelo Estadual nesta quarta-feira, às 19h, no Estádio Madrugadão, contra o Misto. Depois, no fim de semana, joga contra o Cuiabá, na Arena Pantanal, pela Copa Verde e apenas uma vitória mantém o time amarelo na competição.

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